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03/07/2018 Notícias

Zika pode causar mais abortos do que se imaginava, de acordo com estudo

Pesquisa com primatas revela aborto, mesmo em gestantes que não apresentavam sintomas da doença.

Zika pode causar mais abortos do que se imaginava, de acordo com estudo

A Zika ficou muito conhecida como uma doença que afeta gestantes e seus bebês, quando a infecção ocorre no início da gravidez. Entre as consequências estão: microcefalia, epilepsia, dificuldades na visão após o nascimento e até mesmo o aborto ou natimortos.

No entanto, diversos estudos estão sendo realizados sobre a doença e o mosquito transmissor para tentar diminuir o impacto nas mulheres grávidas. O problema é que até agora apenas mulheres com sintomas da doença participaram do estudo, o que pode ter aberto uma falha nos dados obtidos.

Uma pesquisa recente nos EUA revelou que a Zika pode causar o aborto de bebês, mesmo em mães que não apresentam sintomas da doença. Um dado que pode ser indício de que as mortes fetais causadas pela doença foram muito maiores do que supunham os médicos.

 

 

O estudo

O estudo foi realizado pelo Centro Nacional de Pesquisa em Primatas da Califórnia, a Universidade da Califórnia, o Instituto de Pesquisa Biomédica do Texas, a Universidade de Wisconsin e a Universidade de Washington. Um artigo completo com todas as descobertas foi publicado na revista científica “Nature Medicine”, na segunda-feira (02).

Os cientistas examinaram 50 primatas fêmeas infectadas com a doença e prenhas. Eles descobriram que 26% delas perderam os seus fetos, mesmo sem apresentar os sintomas característicos da Zika (dores, febre, erupções e olhos vermelhos).

A descoberta alertou para o fato de que o número de mortes pela doença poderia ser muito maior do que se imaginava. Sendo que nesta estatística estariam incluídos os abortos espontâneos, que ocorrem antes da 20ª semana de gestação; e as mortes intrauterinas.

Responsáveis pelo estudo afirmaram que as perdas fetais nesse experimento foram 4 vezes maiores que em outros testes, algo nunca visto na população primata. Além disso, havia indícios de replicação do vírus nos tecidos fetais e placentários, bem como anomalias características da doença deixando claro que as mortes foram causadas pela Zika.

O principal ponto desse levantamento é que, em pesquisas anteriores, a perda dos fetos atingiu apenas 5% dos casos. Um número extremamente baixo ao identificado no experimento mais recente, demonstrando a gravidade da doença.

Segundo os pesquisadores, o maior desafio em realizar os mesmos testes em humanos é justamente a falta de sintomas. As mulheres grávidas só procuram auxílio quando identificam os sintomas, o que dificulta acompanhar a doença em casos assintomáticos.

Da mesma forma, a falta de indícios da Zika também impede que os próprios médicos se antecipem ao perigo. Algo que só piora a situação dessa doença, que já atingiu níveis alarmantes no Brasil recentemente.

Resta agora aguardar por avanços na pesquisa e também por formas mais eficazes de diagnosticar a doença.