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19/03/2014 Dicas

A prescrição médica do exercício físico

As evidências mostram que a atividade física pode ser usada para promover a saúde e prevenir e tratar mais de 30 doenças físicas e mentais

A prescrição médica do exercício físico

A prescrição de atividade física é considerada uma intervenção bem sucedida em pacientes com um estilo de vida sedentário, constituindo uma das medidas com o maior efeito positivo sobre a saúde pública. As evidências mostram que a atividade física pode ser usada para promover a saúde e prevenir e tratar mais de 30 doenças físicas e mentais[1]. Nesse sentido, os médicos estão em uma posição privilegiada para proporcionar aconselhamento sobre a prática de atividade física para seus pacientes. Eles são uma fonte respeitada de informações relacionadas à saúde, têm a oportunidade de fornecer um aconselhamento preventivo contínuo, além de terem obrigações éticas de fazê-lo. Por outro lado, um grande número de pessoas têm contato com o serviço de saúde a cada ano, e a atenção primária continua a ser um cenário atraente para intervenções de atividade física[2].

Porém, esta intervenção parece ser pouco utilizada por clínicos gerais[1]. Evidências sugerem que embora os clínicos generalistas tenham um bom nível de conhecimento sobre os benefícios da atividade física regular, não a promovem de uma maneira que terá um impacto sobre os seus pacientes[3]. Estima-se que apenas cerca de 25% dos pacientes em ambientes de cuidados primários recebem qualquer aconselhamento sobre a prática de atividade física[4]. Os médicos muitas vezes mencionam a necessidade de que os pacientes tenham essa prática, mas não especificam nem discutem os tipos de exercício ou sua frequência[5].

A prescrição de exercício físico é um processo em que se recomenda um programa de exercícios de forma sistemática e individualizada, segundo as 
necessidades e preferências de cada pessoa, com a finalidade de obter os 
maiores benefícios com os menores riscos. Não basta indicar que se deve fazer 
exercício. À semelhança de como se faz com qualquer outra medicação, é 
necessário especificar os aspectos quantitativos e qualitativos do exercício físico[6].

Existem várias barreiras para o aconselhamento médico sobre a prática de
exercícios físicos, incluindo a formação insuficiente e a falta de motivação dos 
clínicos e os seus próprios hábitos pessoais precários dessa prática. Há 
evidências de que a saúde dos médicos e as próprias práticas de atividade física 
influenciam suas atitudes para com essa prescrição[7].

A atividade física como uma prescrição é uma receita que deve ser escrita,
ajustada individualmente, o que acontece na Suécia[1]. Neste país, a equipe de
cuidados de saúde emite uma receita escrita individual sobre intensidade, 
duração e tipo de atividade que o paciente deve realizar, a fim de minimizar o 
sedentarismo. As rotinas para prescrição e o layout da própria prescrição têm 
sido desenvolvidos para que se pareçam com prescrições de medicamentos, 
como uma forma de aumentar a importância da prescrição[2].

Melhorar a qualidade do aconselhamento exercício por profissionais de saúde é uma importante forma de aumentar os níveis de atividade física na população em geral. É necessária a criação de rotinas e providências para que esse tipo de aconselhamento se torne sistemático e ganhe credibilidade, tornando-se prática cotidiana entre os clínicos. Nas escolas de medicina também deveria haver um maior estímulo para que os estudantes assumam a adoção e manutenção de hábitos regulares de exercícios físicos e para que aumentem as taxas e a qualidade de futuros aconselhamentos quando se tornarem médicos.

Referências
1- PERSSON, G.; BRORSSON, A.; EKVALL H. E. et al. Physical activity on prescription (PAP) from the general practitioner'sperspective - a qualitative study. BMC Fam Pract. 14:128, 2013.
2- SMITH, B. J.; BAUMAN, A. E.; BULL, F. C. et al. Promoting physical activity in 
general practice: a controlled trial of written advice and information materials. Br J Sports Med. 34(4):262-7, 2000.
3- LAWLOR, D. A.; KEEN, S.; NEAL, R. D. Increasing population levels of physical activity through primary care: GPs' knowledge, attitudes and self-reported 
practice. Family Practice 16: 250-254, 1999.
4- CARROLL, J. K.; FISCELLA, K.; EPSTEIN, R. M. et al. Getting patients to 
exercise more: a systematic review of underserved populations. J Fam Pract
57(3):170-6, 2008.
5- GNANENDRAN, A.; PYNE, D. B.; FALLON, K. E. et al. Attitudes of medical students, clinicians and sports scientists towards exercisecou nselling. J Sports Sci Med. 10(3):426-31, 2011.
6- CARNEIRO, D. Prescrição de exercício físico: a sua inclusão na consulta. Rev 
Port Clin Geral 27(5): 470-479, 2011.
7- PATRA, L.; MINI, G. K.; MATHEWS, E. et al. Doctors' self-reported physical 
activity, their counselling practices and their correlates in urban Trivandrum, South India: should a full-service doctor be a physically active doctor? Br J Sports Med, 2013.

*Semanalmente, o Dr. Teuto abre este espaço para seus parceiros exporem suas opiniões e ideias sobre diversos temas. Portanto, este conteúdo é de total responsabilidade de seus autores.